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O Começo de Tudo
A História do Palmeiras começou quando um grupo de imigrantes italianos resolveu fundar um clube com as tradições culturais italianas e que também fosse um local onde se pudesse praticar o futebol.
Como não podia deixar de ser, a história do Palestra Itália tem muitas semelhanças com a história da colônia italiana que começou a se instalar no Brasil no final do século XIX.
A colônia italiana com muita velocidade se tornou uma das mais importantes de São Paulo, em todas as atividades. Nestas atividades, inclusive, o futebol.
Entre 1913 e 1914, vêm da Itália, em excursão, dois grandes times de futebol: o Pro Vercelli e o Torino, fato esse que deu ânimo aos imigrantes italianos.
A colônia italiana, então, liderada por Luigi Cervo, Ezequiel Simone, Luigi Emmanuele Marzo e Vicente Rogonetti, cria um clube italiano no Brasil. No dia 14 de agosto, inclusive, o jornal “Fanfulla” publica um convite aberto a todos para que participem da criação do clube italiano.
Exatos 5 dias depois, comparecem 37 pessoas no salão Alhambra, na rua Marechal Deodoro; a reunião foi presidida por Ezequiel Simone. Nesta reunião foi decidida a criação do Palestra Itália, proposto por Luigi Cervo.
A primeira assembléia geral foi realizada em 26 de agosto, noite oficial da fundação do Palmeiras.
Pouca coisa aconteceu após sua fundação. Isto porque a Primeira Guerra Mundial explodia por toda a Europa. Imigrantes italianos foram convocados para a frente da batalha, e os sócios pouco colaboravam com o clube. Foi um começo difícil.
Em 24 de janeiro de 1915, o Palestra disputou sua primeira partida, contra outro time italiano, o Savóia de Votorantim. O Palestra venceu por 2 a 0, gols de Bianco e Alegretti.
O primeiro título do Palestra Itália foi em 1920, em cima do Paulistano, em emocionante e lotada partida.
A década de 30 foi tanto importante como marcante para o Palestra Itália. Nesta década houve a inauguração de seu estádio (o mesmo até hoje) e o primeiro tricampeonato paulista (32,33 e 34).
Em 1940, o clube inaugurou o estádio do Pacaembu em partida contra o Coritiba, vencendo por 6 a 2.
A Mudança de Nome
A década de 40 foi marcada pela Segunda Guerra Mundial. Para o Palmeiras, foi um momento difícil e traumático.
No dia 22 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra tanto à Alemanha quanto à Itália. O então presidente Getúlio Vargas, através de um decreto, proibiu qualquer entidade de usar nomes relacionados aos países do eixo (Alemanha, Itália e Japão).
O Palestra Itália, como medida preventiva, resolve tirar o Itália do seu nome, passando a se chamar Sociedade Esportiva Palestra de São Paulo. Isto, porém, não foi o suficiente. Apesar de “palestra” ser uma palavra grega, a mudança não amenizou os ânimos .
Começou a campanha contra o clube. Panfletos eram colados nas ruas.
Dirigentes do São Paulo Futebol Clube pediram a expulsão do Palestra do Campeonato Paulista, sob o argumento de que agora o mesmo era inimigo da pátria, bem como reivindicavam para si o patrimônio palestrino.
Conta-se que, no auge das perseguições, torcedores do São Paulo tentaram uma invasão, para tomarem para si o estádio e clube palestrino.
Na véspera da final do Campeonato Paulista, do qual era finalista, o Palestra ,em reunião tensa, obrigado pelas circunstâncias, com medo de perder o seu patrimônio para outro clube e ser retirado do campeonato que liderava, mudou o seu nome para Sociedade Esportiva Palmeiras. Foi anotado na ata da referida reunião a célebre frase do Dr. Mario Minervino: “ Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões.”
No dia 20 de setembro, a partida final do Campeonato foi tensa. O adversário: São Paulo Futebol Clube.
O Palmeiras entra em um Pacaembu lotado , acompanhado pelo Capitão Adalberto Mendes, com uma enorme bandeira do Brasil... Minutos de silêncio. De repente o público se levanta e aplaude de pé os atletas.
O São Paulo não terminou a partida, abandonando o jogo antes do seu término. O árbitro aguardou o fim do tempo regulamentar e deu a partida por encerrada, com um placar de 3X1.
O Palmeiras sagrou-se campeão, fato que ficou conhecido como “Arrancada Heróica de 42”.
A Academia
O período da Segunda Guerra passou, mas o nome Palmeiras foi mantido.
A década de 50, que começou com a conquista de um Paulista, foi marcada por outra grande conquista: a Copa Rio de 1951. O Palmeiras sagrou-se o 1º campeão mundial.
Em 1959, o Palmeiras chegava à decisão com uma grande e difícil missão. Além de amargar quase nove anos sem levantar o título estadual, para complicar ainda mais a situação o time do Palestra Itália teria pela frente nada menos do que o Santos de Pelé e companhia.
Com um verdadeiro esquadrão, conseguiu, em um Supercampeonato empolgante, destronar o Santos FC. No jogo final, com as duas equipes empatadas, o pé carioca de Romeiro chutou as últimas esperanças santistas. O periquito cantou de galo e a alegria explodiu.
Já os anos 60 marcaram o início da Era Ademir da Guia no Verdão. Nesta fase, o Palmeiras viu suas ambições aumentarem, à altura de seu nome.
No início da década, o Palmeiras, em alto estilo, é campeão da Taça Brasil, tendo feito em uma única partida 8 gols.
Em 1961 chega ao clube um rapaz que viria a ser o maior e mais inesquecível ídolo alviverde: Ademir da Guia.
Filho de Domingos da Guia, foi o próprio que entregou ao filho a faixa de campeão de seu primeiro título( campeão paulista).
Em 1966, mais um título. No ano seguinte, o Palmeiras é campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (um campeonato nacional, como o atual brasileirão).
Tanto é verdade que este campeonato valia vaga na Libertadores.
O ciclo de Ademir contém, além dos já mencionados: Roberto Gomes de Pedrosa de 69, os títulos paulistas de 72,74 e 76, e, já com um novo nome, os títulos brasileiros de 72 e 73. No exterior, o Palmeiras conquista o Troféu Ramon de Carranza, em 1969.
Nos "anos de ouro" do futebol brasileiro, quando o País conquistou seus três primeiros títulos mundiais de futebol e encantou o planeta, o Palmeiras era um dos poucos times que conseguia ser páreo para o Santos, que tinha o Pelé.
Na ocasião, por conta da técnica apurada e pelo toque de bola refinado de seus jogadores, o Palmeiras foi comparado a uma "Academia de Futebol".
A primeira participação do clube na Libertadores ocorreu em 1961. Na época,porém, os clubes brasileiros não davam a devida importância ao campeonato, ou seja, não “priorizavam”.
Mesmo assim, o clube alviverde chegou à final, mas perdeu as finais para o Peñarol.
Em 1963, o Palmeiras impediu o tetracampeonato paulista do Santos – que já o tinha por vencido.
Uma das maiores glórias palestrinas ocorreu no dia 7 de setembro de 1965. Neste dia, coube ao Palmeiras a honra inédita (até os dias atuais)de representar a Seleção Brasileira em uma partida contra o então forte Uruguai. A partida aconteceu em Belo Horizonte, no Mineirão.
O time paulista venceu por 3 X 0.
A década de 60 foi marcada por grandes outros título e jogos memoráveis.
A Nova Academia
O Palmeiras mandou na primeira metade da década de 70. Com seu futebol vistoso, comandado por Ademir, e com uma defesa consistente, o time brilhou em 72 conquistando os cinco títulos que disputou no ano. Um aproveitamento de 100%.
Pouco tempo após o final da Primeira Academia, uma nova equipe se formava aos poucos, Ademir da Guia e Dudu eram os remanecentes, e novos reforços chegavam para se juntar aos já consagrados palmeirenses, e assim se deu início a Segunda Academia, que conseguia apresentar um futebol ainda mais técnico e bonito que a academia anterior.
A Segunda Academia ocorreu entre 1972 e 1976, ano esse em que se despedia dos gramados o maior craque da história do Palmeiras, Ademir da Guia, o 'Divino' como era conhecido. Na nova academia se destacaram o goleiro Leão; o zagueiro Luís Pereira; o atacante Leivinha; os remanecentes Ademir da Guia e Dudu; e o atacante César "Maluco", segundo maior artilheiro da história do verdão atrás apenas de Heitor, artilheiro da década de 20.
Se no período em que durou a Primeira Academia, o Palmeiras era o único que incomodava o poderoso Santos de Pelé, já na Segunda Academia eram os outros que ousavam duelar com o Palmeiras, pois nessa época o Palmeiras era indiscutivelmente o melhor clube do país.
No período que durou a Segunda Academia o Palmeiras conquistou dois Campeonatos Brasileiro (1972 e 1973) e três Campeonatos Paulista (1972, 1974 e 1976).
A Malfadada Década de 1980
A década de 80 foi marcada pela ausência de títulos. O que significou fila.
O último título palmeirense havia ocorrido em 1976.
A História Palestrina neste momento é caracterizada pelo “quase”. Em 78, perdeu a final do brasileirão para o Guarani. Em 1979, “quase” campeão nos campeonatos Paulista e Brasileiro.
Sofrimento mesmo foi no ano de 86, quando o Palmeiras chega à final e perde para o Inter de Limeira, que foi a 1ª equipe do interior a vencer este campeonato.
Foi difícil esquecer esta derrota. Dez anos sem títulos e a humilhação de perder para um time de pouca tradição.
Enfim, o jejum alviverde se estendeu por toda a década de 80, para a tristeza dos palmeirenses.
Apesar do jejum de títulos, jogos memoráveis. Como o 5 X 1 sobre o Corinthians, em 1986. Nesta fase de jejum, um dos grandes símbolos do Palestra Itália foi o jogador Jorginho. Deve-se lembrar que nesta época não era fácil ser ídolo.
A Década de 90
O Palmeiras estreou os campeonatos sonhando com o fim do jejum.
Em 1991, um duro golpe. O Palmeiras foi eliminado pelo São Paulo, que nem deveria estar disputando a competição.Isto porque, este time havia sido rebaixado no ano anterior e voltou à primeira divisão graças a uma virada de mesa.
Após 16 anos de jejum de títulos, o Palmeiras aposta numa parceria inovadora, a co-gestão com a multinacional Parmalat.
A vinda da Parmalat trouxe uma nova perspectiva ao clube, pois os altos investimentos proporcionaram alguns dos maiores craques do futebol brasileiro da época. Assim, o Palmeiras manteve equipes de qualidade mais do que suficiente para a conquista dos principais torneios.
O fim do jejum veio em 1993. O Palmeiras sufoca o adversário (Corinthians) em um jogo com 104.401 espectadores. O placar: 4 X 0.
A maior conquista da chamada Era Parmalat foi, sem dúvida, a conquista da Libertadores da América.No dia 16 de junho deste ano, o Palmeiras conquista a América do Sul em pleno Palestra Itália!
O sucesso da parceria com o Palmeiras valeu ao clube pelas glórias alcançadas (que não foram poucas).Ao todo foram onze títulos de grande expressão: dois Campeonatos Brasileiros (1993 e 1994), uma Copa do Brasil (1998), uma Copa Mercosul (1998), uma Copa Libertadores da América (1999), dois Torneios Rio-São Paulo (1993 e 2000), três Campeonatos Paulistas (1993, 1994 e 1996) e uma Copa dos Campeões (2000).
Campeão do Século XX
O Palmeiras foi proclamado pela Federação Paulista de Futebol e pelos mais importantes jornais e revistas do país o CAMPEÃO DO SÉCULO XX do futebol brasileiro. Isto porque foi o maior vencedor das principais competições esportivas nacionais e internacionais.
Assim, com uma História vitoriosa desde a sua fundação, tendo passado por momentos difíceis e dramáticos, mas sempre superando e se superando, o Palmeiras adentra o século XXI.
O Novo Século
O Campeonato Brasileiro de 2002 foi o último disputado antes da adoção do sistema de pontos corridos, ou seja, o último com final. Foi este campeonato que trouxe, talvez, a maior tristeza da torcida palmeirense: o rebaixamento.
Entretanto, como o time que é, e sempre foi, não houve virada de mesa e o Alviverde Imponente subiu por méritos próprios.
Muitos palmeirenses preferem esquecer – e com razão! – esta fase, mas o título do Campeonato Brasileiro Série B de 2003 foi importante na história do clube. Na ocasião, o Palmeiras foi campeão com folga, ao somar 16 pontos na fase final, ficando com o dobro somado pelo Botafogo, vice-campeão e que também conquistou o acesso. O time paulista realizou 35 jogos em toda a competição, conquistando 23 vitórias, nove empates e somente três derrotas. Além disso, o Palmeiras teve o melhor ataque da Série B, com 80 gols. Somente a dupla de ataque, formada por Vagner Love e Edmilson marcou 30.
Já o ano de 2008 foi um ano de alegrias.
Com um elenco com Valdívia, Diego Souza, Pierre entre outros, o Palmeiras eliminou o São Paulo nas semi-finais do Campeonato Paulista e garantiu a taça na final contra a Ponte Preta. Detalhe: houve um massacre palestrino. O Palmeiras venceu a Ponte Preta por 5 a 0 no Estádio Palestra Itália. Título para não deixar ninguém na dúvida!
O ano de 2009 segue e, com certezas, muitas outras glórias entrarão para a História da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Quem sabe, novamente, o Campeão do Século? Só que, desta vez, do século XXI...
Fonte
www.palmeiras.com.br
http://palestrinos.sites.uol.com.br/
Revista Lance, série Grandes Clubes, edição especial 1999.
http://mundopalestra.wordpress.com
José Roberto de Araújo Braga Iervolino - palmeirense ilustre
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